POR QUE NOSSAS INDUÇÕES PODEM ESTAR FAZENDO UMA DIFERENÇA?

EFEITO PLACEBO E  A EPIGENÉTICA

Texto com base nas ideias do livro YOU ARE THE PLACEBO de AUTORIA DE JOE DISPENZA

André Percia compilou ideias de Joe Dispenza e fez reflexes com base em seu conhecimento sobre Hipnoterapia, Programação Neurolinguística (PNL) e Coaching.

ANDRÉ PERCIA
Psicólogo, NLP Master Trainer e Mastercoach Trainer

A Hipnoterapia, o Coaching e a Programação Neurolinguística ajudam as pessoas a construirem um futuro desejado “em suas mentes” antes que o mesmo aconteça no mundo real, e por muito tempo vem acumulando grande sucesso em várias áreas: saúde, negócios, terapia e desempenho (pessoal, esportivo, de carreira etc.).

Desde que disponibilizei induções no meu canal de video em 2007 e depois com meus cds e gravações, recebo incontáveis cartas, emails e feedback de pessoas que relatam “melhoras” em múltiplos níveis. O que faço tem base na PNL, Hipnoterapia e Coaching.

neuronios

Mas qual a “ciência” por trás desses resultados tão animadores que podem estar se referindo a mudanças verdadeiras? Porque o que fazemos pode funcionar?

Estudiosos como o célebre Dr. Joe Dispenza que ficou mundialmente famoso no filme “Quem somos nós” vem acumulando evidências sobre o efeito placebo que, em última análise, explica como a mente reverte processos emocionais e até mesmo fisiológicos os quais parecem refletir nos estados de saúde.

Abaixo, reuni algumas das ideias do Dr. Dispenza sobre o efeito placebo, a epigenética e os mecanismos interiores de cura e transformação publicados no recente livro “YOU ARE THE PLACEBO” e farei correlações com processos tanto da PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA (PNL), quanto do COACHING e da HIPNOTERAPIA.

Quando você está realmente focado em uma intenção, visando um resultado no futuro, se seu pensamento interior  for mais forte do que o que acontece no ambiente externo durante o processo, o cérebro não saberá a diferença entre os dois. Em seguida, seu corpo, assim como expressão de sua mente inconsciente, começará a experimentar esse novo evento futuro no momento presente. O processo sinaliza novos gens de novas maneiras, preparando a pessoa para o evento futuro imaginado. Se você continuar a praticar mentalmente muitas vezes essa nova série de escolhas, comportamentos e experiências,  seu cérebro vai começar a instalar fisiologicamente uma mudança, um novo circuito neurológico e a processar a partir desse nível, como se a experiência já tivesse acontecido.

Você estará produzindo variações epigenéticas as quais levam a alterações estruturais e funcionais reais no corpo pelo pensamento, exatamente como o fazem aqueles que respondem ao efeito placebo. Em seguida, seu cérebro e corpo deixarão de estar vivendo no mesmo “passado” ou velho padrão limitante e disfuncional,  para construir um novo “futuro” que você criou na sua mente.

Ao vivenciar essa nova emoção você estará saturando seu corpo na neuroquímica que necessita estar presente para que esse evento futuro realmente ocorra.

O seu cérebro e corpo não sabem a diferença entre ter uma experiência real em sua vida e só  pensar na experiência. Neuroquimicamente, dá no mesmo. Estudos com a hipnose já apontavam para isso há muito tempo. O seu cérebro e corpo começam a acreditar que eles já estão vivendo a nova experiência no momento presente. Ao manter o seu foco neste evento futuro e não deixando quaisquer outros pensamentos distraí-los, em poucos momentos, você pode diminuir as ações dos circuitos neurais ligados ao “velho padrão”, os quais começam a desligar os genes antigos, e começará a disparar e conectar novos circuitos neurais, que iniciam os sinais corretos e adequados para ativar novos genes de novas maneiras. Graças à neuroplasticidade do cérebro, os circuitos  começam a se reorganizar para refletir o que você está ensaiando mentalmente. E quando você mantém a conexão de seus novos pensamentos e imagens mentais com fortes emoções positivas consistentes, então sua mente e corpo estarão trabalhando juntos e você criará um novo estado de ser. Neste ponto, o seu cérebro e corpo não serão mais uma repetição do passado, e sim um mapa para o futuro: um futuro que você criou em sua mente. Seus pensamentos tornaram-se sua experiência, e você só se torna o placebo.

Desde os anos 70, a PNL trabalha com técnicas de linha de tempo (Time Line), onde o explorador imagina e constrói de inúmeras formas um futuro desejado, alinhando inúmeros processos e tornando-os congruentes e ecológicos. No entanto a PNL o fez modelando o sucesso de outras pessoas, sem a preocupação de fazer “pesquisa”(inicialmente). A hipnoterapia já trabalha processos de mudança interna por mais de 100 anos, e só agora estudos mais recentes explicam o “sucesso” de muitos casos.

O Coaching cria um processo de mudanças onde se determina no presente aquilo  que se quer construir efetivamente no futuro, e esse processo é feito no “agora”, onde coaches se movem do “estado atual” para o “estado desejado”.

Muitas experiências sobre o ensaio mental evidenciam que, quando você se concentra em uma determinada região do corpo, seus pensamentos estimulam a região do cérebro que governa a mesma, e se você continuar fazendo isso, mudanças físicas na área sensorial do cérebro podem acontecer. Faz sentido, porque se você continuar colocando sua consciência no mesmo lugar, você está disparando e conectando as mesmas redes de neurônios. E, como resultado, você vai construir  mapas cerebrais mais fortes nessa área.

Desde os anos de 1970, a PNL apresentou seu “Modelo de Comunicação” de maneira metodológica e empírica onde as REPRESENTAÇÕES INTERNAS  geram o ESTADO que interfere na FISIOLOGIA que, finalmente, altera o COMPORTAMENTO, ou seja, o que as coisas “significam” altera “como nos sentimos” que altera “como funcionamos” o que altera o que “fazemos”. O que era um modelo funcional, agora ganha respaldo das pesquisas modernas.

cranio_cerebroO lobo frontal, localizado logo atrás de sua testa, é o seu centro criativo. Esta é a parte do cérebro que aprende coisas novas, sonha, gera novas possibilidades, toma decisões conscientes, define intenções, e assim por diante. É como um “executivo”. O lobo frontal também permite que você observe quem você é e avalie o que você está fazendo e como está se sentindo. É a morada de sua consciência. Isso é importante, porque uma vez que você se torna mais consciente de seus pensamentos, você pode melhor direcioná-los.

Praticar o ensaio mental, concentrar-se e focalizar no resultado desejado, faz do lobo frontal seu aliado, pois também reduz a influência do mundo exterior, de modo que não fique tão distraído com informações vindas de seus cinco sentidos. Os estados hipnóticos que levam a pessoa do estado de consciência BETA para o estado ALFA já diminuem há anos o ruído externo aumentando o foco nos processos internos e a hipnoterapia há muito tempo acumula um sem número de evidências onde a mente “hipnotizada” afeta inúmeros processos fisiológicos como anestesia, hemorragia entre outros.

No momento em que você imagina um novo futuro para si mesmo, pensar em uma nova possibilidade, e começar a se fazer perguntas específicas tipo: “como  seria  viver sem esta dor e limitação?”, seu lobo frontal, em questão de segundos  cria tanto a intenção de ser saudável (para que você possa ter clareza sobre o que você deseja criar e aquilo que você não quer mais experimentar) e uma imagem mental de ser saudável para que você possa imaginar o que isso significa.

Como “executivo”, o lobo frontal tem ligações com todas as outras partes do cérebro. Ele começa a seleção das redes de neurônios para criar um novo estado de ser como uma resposta para a referida pergunta, enfraquecendo o velho processo e a seleção de diferentes redes de neurônios de diferentes partes do cérebro conectando-as numa nova rede para criar um novo processo mental que reflete o que você está imaginando. É o seu lobo frontal que muda a sua mente e que faz o cérebro trabalhar em diferentes sequências, padrões e combinações. Uma vez que o lobo frontal seleciona diferentes redes de neurônios, é perfeitamente possível ativá-los em conjunto para criar um novo estado de ser, e uma nova imagem ou representação interna aparece em sua mente.

Isso é exatamente o que fazemos em trabalhos de Hipnoterapia, PNL e Coaching.

Do ponto de vista da neuroquímica, se o seu lobo frontal está conectando várias redes neurais para você se concentrar em uma intenção específica, vai chegar um momento em que o pensamento se tornará a experiência em sua mente, que é quando a sua realidade interior é mais real do que a realidade exterior. Uma vez que o pensamento se torna a experiência, você começa a sentir a emoção de como o evento seria na realidade (as emoções são as assinaturas químicas das experiências). Seu cérebro produz um tipo diferente de química, um neuropeptídeo, e o envia para as células do seu corpo. O neuropeptídeo procura os receptores apropriados em várias células, de modo que  possa entregar a sua mensagem para os centros hormonais do corpo e, em última instância, o DNA das células e as células começam a propagar a mensagem de que o evento “ocorreu”. Quando isso acontece, ele responde acionando alguns genes e desligando outros,  para apoiar o  novo estado de ser.  Quando um gene é acionado, ele produz uma proteína. Quando um gene é desligado, torna-se desativado e fica mais fraco e não produz  muitas proteínas. E vemos os efeitos com mudanças mensuráveis em nossos corpos.  Se novos pensamentos podem criar uma nova mente, ativando novas redes neurais, criando neuropeptídeos mais saudáveis e hormônios (que sinalizam as células em novas formas e epigeneticamente ativam novos genes para fazer novas proteínas), e se a expressão de proteínas é a expressão de vida e é igual à saúde do corpo,  os pensamentos podem curar o corpo.

Células-tronco são parcialmente responsáveis pela forma como o aparentemente impossível se torna possível. Oficialmente, são células biológicas indiferenciadas  que se tornam especializadas. Quando são ativadas, elas se transformam em qualquer tipo de célula corporal,  como células musculares, células ósseas, células da pele, células do sistema imunológico, e as células nervosas ou mesmo cerebrais, a fim de substituir as células lesadas ou danificadas no corpo dos tecidos, órgãos e sistemas.

Quando você corta o dedo, o corpo precisa reparar a ruptura na pele. O trauma físico local envia um sinal para os seus genes de fora da célula. O gene é acionado e produz  as proteínas adequadas, que, em seguida, instruem as células-tronco a se transformarem em células da pele que funcionam de uma forma saudável. O sinal traumático é a informação para que a célula-tronco se “transforme” em uma célula de pele. Milhões de processos como este ocorrem em todo o nosso corpo o tempo todo. Esse processo já gerou cura documentada no fígado, músculos, pele, intestino, medula óssea, e mesmo o cérebro e o coração.

Em estudos de cura de feridas, por exemplo, quando a pessoa esta em um estado emocional altamente negativo como a raiva, as células-tronco não passam a mensagem de forma clara. Quando há interferência no sinal, como acontece com a estática no rádio, a célula potencial não recebe o estímulo certo, de forma coerente para se transformar em uma célula útil. A cura vai demorar mais tempo porque a maioria da energia do corpo é ocupada em lidar com emoções como a raiva e seus efeitos químicos.

Quando o efeito placebo está funcionando, você cria o estado de ser adequado com uma intenção clara e o combina com uma emoção elevada e nutritiva, o tipo certo de sinal que pode chegar ao DNA da célula. A mensagem não só irá influenciar a produção de proteínas saudáveis para melhorar a estrutura e função do corpo, mas também produzir novas células saudáveis a partir de células-tronco latentes que estão apenas esperando para serem ativadas com a mensagem certa.

Vários  estudos têm mostrado aumentos de vários anticorpos depois que pessoas assistem a um video cômico ou de humor. Uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill revela que o aumento das emoções positivas produz aumento no tônus vagal, que desempenha um papel importante na regulação do sistema nervoso autônomo e na homeostase. Em um estudo japonês, quando os ratos bebês recebem cócegas cinco minutos por dia, durante cinco dias em uma sequência para estimular a emoção positiva, os cérebros geram novos neurônios. Em cada um desses casos, fortes emoções positivas ajudaram a desencadear mudanças fisiológicas reais que melhoraram a saúde.

De acordo com muitos estudos sobre o placebo, no momento em que alguém começa a gerar uma intenção clara de um novo futuro (querer viver sem dor ou doença) e, em seguida, combina isso com uma grande emoção (emoção, esperança e expectativa de verdade de viver sem dor ou doença) é o momento em que o corpo não está mais no passado. O corpo está começando a viver AGORA esse novo futuro, porque, como vimos, o corpo não sabe a diferença entre uma emoção criada por uma experiência real e uma criada apenas pelo pensamento. Assim, esse estado elevado de emoção em resposta ao novo pensamento é um componente vital desse processo, porque é uma nova informação que vem de fora da célula e vai para o corpo, e a experiência do ambiente externo ou ambiente interno é a mesma.

Richard Bandler com o DESIGN HUMAN ENGINEERING (DHE) e o NEURO-HYPNOTIC REPPATERNING (NHR) deu um passo que  muitos “da PNL” não entendem, mas que faz todo o sentido. Quando se amplifica as sensações e pede, por exemplo, que as pessoas ouçam um coro de vozes interno, o que interfere dramaticamente nas representações internas e em todo o processo aqui descrito.

John Grinder faz a mesma coisa no “NEW CODE” e Robert Dilts ativa poderosos processos de conexão entre processos cognitivos, somáticos e de campo com a 3RD GENERATION NLP.

Estudos mostram que entrar em contato com emoções positivas e expansivas como a bondade e as emoções de compaixão, tendem a liberar um neuropeptídeo diferente (oxitocina), que, naturalmente, desliga os receptores na amígdala, a parte do cérebro que gera medo e ansiedade. Bandler já se referiu à oxitose em seu livro “The Secrets of Being Happy” que é anterior ao “Placebo” de Dispenza.

Com o medo fora do caminho, podemos sentir  mais confiança, perdão e amor. Passamos de egoístas para altruísta. E à medida que incorporamos esse novo estado de ser, o nosso circuito neural abre  portas para possibilidades infinitas que nunca poderiam sequer ser imaginadas antes, porque agora nós não estamos gastando toda a nossa energia tentando descobrir como sobreviver. Os cientistas estão encontrando em  áreas do corpo como os intestinos, o sistema imunológico, fígado e coração, assim como muitos outros órgãos que contêm  receptores locais para oxitocina. Esses órgãos são altamente sensíveis à efeito de cura por oxitocina, que tem sido associada ao crescimento de mais vasos sanguíneos no coração, estimulando a função imune, aumentando a motilidade gástrica, e normalizando os níveis de açúcar no sangue.

O lobo frontal nos ajuda a desconectar três elementos: o corpo o meio ambiente e o tempo, que são os três focos principais de alguém em “modo de sobrevivência”. Ele nos ajuda a construir um estado de consciência pura, onde não temos ego. Neste novo estado, quando nós encaramos o que  desejamos, nossos corações estão mais abertos, e as emoções positivas podem fluir através de nós, para que, agora, o ciclo de sentir o que estamos pensando e pensando o que estamos sentindo finalmente trabalhem em nosso favor . O padrão da mente egoísta que tínhamos quando estávamos em modo de sobrevivência já não existe, porque a energia que nós canalizávamos para necessidades de sobrevivência agora foi liberada para criar algo novo.

Nos desconectando do antigo estado de ser e ligando os circuitos do novo estado de ser, nossa química interna começa a transmitir  novas mensagens para nossas células, que, agora, podem se preparar para fazer mudanças epigenéticas  sinalizando novos genes de novas maneiras. Note que viver elevadas emoções “como se já estivessem acontecendo”, sinaliza o genes à frente do meio ambiente. Assim não estamos esperando e “tendo esperança” para a mudar, nós somos a mudança!

Não se trata apenas de ter uma saúde e curar-se de doenças. Esse estudos versam sobre criar efetivamente seu futuro desejado!

BIBLIOGRAFIA

Dispenza, Joe. 2014. YOU ARE THE PLACEBO. Hay House, Inc. USA

Percia, André. Coaching, Missão e Superação. Editora Ser Mais, Brasil.

Bandler, Richard. 2011. The Secrets of Being Happy. I.M. Press, Inc.

Dilts, Robert. E DeLozier, Judith. With Dilts, Deborah. B. NLP II: The Next Generation. Metapublications. USA.